Sinopse:
UM CÂNTICO DE NATAL tem como protagonista Ebenezer Scrooge, um pão-duro, proprietário de uma casa de contabilidade e empregador do pobre Bob Cratchit, seu escriturário. Scrooge evita fazer quaisquer despesas, tanto que no inverno, na época de Natal, o escritório é aquecido apenas por uma pequena lareira. Para Scrooge, isso não é um problema, uma vez que a sua frieza interior é constante, e o conforto de outras pessoas para ele não é importante. Na véspera de Natal, Scrooge, sozinho e renegando qualquer companhia, recebe a visita do espírito de seu sócio, Jacob Marley, que lhe dá a confiança de que um destino igual ao dele estará reservado a Scrooge se o mesmo não se redimir de seu comportamento. Para tal, três fantasmas lhe virão visitar e trarão uma oportunidade para que ele reflita sobre sua condição e através da mudança de hábitos limpando sua consciência. Charles Dickens foi um dos principais cronistas de seu tempo, retratando através de suas obras as mudanças que ocorreram na Inglaterra vitoriana, em função da industrialização e reforma de valores. Mais do que um simples contador de histórias, Dickens se vale de suas obras para criticar as diferenças sociais e a sociedade em que vivia, alertando para a necessidade de retomada dos valores humanos. UM CÂNTICO DE NATAL foi objeto de muitas adaptações, tanto para teatro, cinema, rádio, televisão e ópera. A primeira adaptação para o teatro ocorreu quando Dickens ainda era vivo em 1853, tendo sido supervisionada pelo próprio autor. A primeira adaptação para o cinema ocorreu em 1901, em produção britânica, famosa pelo uso de efeitos especiais exibidos para o próprio rei Eduardo VII da Inglaterra. Desde então, foi adaptado mais 45 vezes às telas, sendo as mais famosas a adaptação musical de 1970, estrelada por Albert Finney e Alec Guinness e a versão recém-adaptada da Disney – Os Fantasmas de Scrooge – animação realizada em 3D através do processo de captura de movimento, ou mocap. O lançamento de UM CÂNTICO DE NATAL pela EDITORA LANDMARK apresenta pela primeira vez a obra de Charles Dickens em uma edição bilíngue inédita, resgatando toda a importância desta magnífica obra de um dos maiores escritores ingleses.
Resenha:
A história começa na véspera de Natal em Londres, onde
Ebenezer Scrooge está em seu escritório contando seu dinheiro. Jacob Marley,
seu sócio, faleceu sete anos antes, deixando os negócios inteiramente para ele.
Seu sobrinho Fred o convida para se juntar à família nas comemorações
natalinas, mas Scrooge o dispensa rudemente. Além disso, é cruel com seu
funcionário mal remunerado, Bob Cratchit, e recusa doações a dois homens que
pediam ajuda para comprar comida e roupas para crianças carentes.
Ao chegar em casa naquela noite, Scrooge se depara com o
fantasma de Marley na sala de estar. O ex-sócio explica como suas escolhas em
vida o condenaram no pós-morte e avisa que Scrooge ainda tem uma chance de
corrigir seus erros. Para isso, ele será visitado por três espíritos nas noites
seguintes: o Fantasma do Natal Passado, o do Natal Presente e o do Natal
Futuro. Como os nomes sugerem, eles o levam a diferentes momentos do tempo para
mostrar o destino inevitável caso ele continue no mesmo caminho.
O Espírito do Natal Passado o faz revisitar sua infância
solitária e os momentos em que ainda tinha capacidade de amar. Ele se vê como
um menino esquecido na sala de aula até a chegada de sua irmã Fan (mãe de
Fred), que morreu jovem, mas com quem ele mantinha uma relação carinhosa.
Conforme cresceu e começou a prosperar nos negócios, sua ganância excessiva
acabou afastando sua noiva, Belle.
Em seguida, o Espírito do Natal Presente mostra o que
acontece ao seu redor naquele exato momento. O fantasma o leva até a casa de
Fred, onde os convidados zombam do comportamento ranzinza do tio. Mesmo assim,
Fred o defende, sente pena e faz um brinde à sua saúde. Depois, visitam a casa
de Bob Cratchit. Apesar da extrema pobreza, a família é unida, grata e feliz.
Ali, Scrooge percebe que o filho de Bob, o pequeno Tim, tem uma deficiência e
pode não sobreviver por falta de tratamento adequado. Ele sente um peso na
consciência ao ouvir Bob brindar em seu nome, mesmo sendo um patrão tão
injusto.
Por fim, o Espírito do Natal Futuro, uma figura sombria e
silenciosa, projeta as consequências trágicas do egoísmo de Scrooge. Ele vê a
devastação da família Cratchit com a morte de Tim e presencia a indiferença com
a própria morte: homens de negócios conversam friamente sobre o falecimento de
um homem rico e impopular — interessados apenas no almoço do funeral —,
enquanto pessoas humildes, como sua lavadeira e o coveiro, roubam seus
pertences do próprio leito de morte. Ao se deparar com a própria sepultura, o
impacto é definitivo.
Diante de tudo o que viu, Scrooge compreende a lição e
decide mudar de vida. Charles Dickens desenvolve o protagonista de forma tão
convincente que torna essa jornada de redenção extremamente gratificante para o
leitor.
Outro ponto forte da narrativa é o aspecto familiar. Embora
Scrooge tenha perdido a irmã, o sobrinho Fred insiste em mantê-lo por perto e o
acolhe de braços abertos quando ele finalmente aceita participar da ceia. Da
mesma forma, Bob Cratchit não tem recursos materiais, mas preserva um laço
familiar inabalável. Até a relação com Marley carrega essa força: o fato de a
empresa manter o nome do sócio sete anos após sua morte mostra o impacto
profundo que um teve na vida do outro.
Com uma escrita notável, descrições marcantes e personagens
inesquecíveis, Dickens entrega mais do que uma história festiva. O livro é um
alerta sobre como nossas escolhas moldam nosso destino, acompanhado de uma
mensagem poderosa de esperança: nunca é tarde para mudar, e a verdadeira
riqueza não está no dinheiro, mas na empatia, na generosidade e no amor ao
próximo. Um clássico da literatura mundial mais do que recomendado.
Trilha sonora da resenha:











