Sinopse:
Do vencedor
do Man Book Booker Prize e autor best-seller do The New York Times, chega às
livrarias o aclamado "The Underground Railroad: Os caminhos para a
liberdade".
Cora é uma jovem escrava em uma plantação de algodão na
Georgia. A vida é infernal para todos os escravos, mas especialmente terrível
para Cora. Uma pária até entre outros africanos, ela está chegando à
maturidade, que a tornará vítima de dores ainda maiores.
Quando um recém-chegado da Virgínia, Caesar, revela uma rota de fuga chamada, a ferrovia subterrânea, ambos decidem escapar de seus algozes. Mas nada sai como planejado. Cora e Caesar sabem que estão sendo caçados: a qualquer momento podem ser levados de volta a uma existência terrível sem liberdade.
Resenha:
The Underground Railroad – Os Caminhos Para a Liberdade é
uma história fictícia ambientada na América pré-Guerra Civil, em um período em
que a vida dos escravizados era marcada pela violência e pela crueldade. Entre
eles está Cora, uma jovem que cresce marginalizada até mesmo entre seus
companheiros. Sua avó, Ajarry, foi sequestrada de sua aldeia e levada para os
Estados Unidos, onde foi escravizada e vendida para a família Randall. Os
irmãos Randall, um cruel e o outro indiferente, comandam plantações onde todo
tipo de atrocidade é praticado sem pudor.
Cora é uma adolescente escravizada em uma plantação de
algodão na Geórgia. Abandonada pela mãe, Mabel, que foi a única escravizada da
plantação a conseguir escapar dos caçadores de escravos, ela cresce sozinha,
carregando a solidão e o ressentimento. Nunca cogitou fugir também. Desde cedo,
precisou aprender a sobreviver por conta própria. E é exatamente isso que ela
é: uma sobrevivente.
Tudo muda quando César, um escravizado recém-chegado da
Virgínia, conta que planeja fugir e a convida para acompanhá-lo. Cora
inicialmente rejeita a ideia, mas, depois de ser brutalmente atacada, decide
partir com ele durante a noite, em direção a uma estação da Ferrovia
Subterrânea. Os dois fogem pela mata e acabam acompanhados por Lovey. Durante a
fuga, são surpreendidos por caçadores de escravos, e Lovey é capturada. Na luta
para escapar, Cora mata um dos perseguidores, ainda adolescente. A partir desse
momento, além de fugitiva, ela também passa a ser uma mulher procurada por
assassinato.
Utilizando a Ferrovia Subterrânea, Cora e César seguem rumo
ao norte, em busca de uma liberdade distante e incerta. Mas a fuga não
significa o fim do sofrimento. Os dois são perseguidos por Arnold Ridgeway, um
implacável caçador de escravos que carrega uma obsessão antiga: encontrar
Mabel, a mãe de Cora, que conseguiu escapar dele. Incapaz de aceitar esse
fracasso, Ridgeway passa a perseguir a filha, determinado a capturá-la e
devolvê-la à escravidão.
O que mais me chama a atenção nessa história é a maneira
como Colson Whitehead mostra que o racismo não se manifesta apenas por meio da
violência explícita. Ele também aparece em atitudes de pessoas que acreditam
estar fazendo o bem. São educadores que se surpreendem com a inteligência dos
negros, como se ela fosse uma exceção, ou pessoas que acreditam que precisam
salvar os africanos de seus próprios costumes e culturas. Por trás dessas
atitudes, existe a mesma dificuldade de reconhecer o outro como alguém que tem
sua própria história, seus valores e sua dignidade.
Na história americana, a Underground Railroad foi uma rede
clandestina formada por pessoas negras livres, abolicionistas e outros
colaboradores que ajudavam escravizados a escapar em busca da liberdade. No
romance, porém, Colson Whitehead transforma essa rede em uma ferrovia
subterrânea literal, recurso ficcional que dá à narrativa uma dimensão ainda
mais marcante.
Mas o livro não se resume à fuga e à perseguição. Existe uma
questão que permanece durante toda a leitura: até que ponto a liberdade é
realmente possível quando a sociedade foi construída para negar esse direito a
determinadas pessoas? Mesmo quando conseguem escapar, os personagens continuam
ameaçados, e cada novo lugar traz seus próprios perigos e formas de opressão. A
liberdade, que deveria ser o destino, muitas vezes parece apenas uma promessa
distante.
Colson Whitehead retrata os horrores da escravidão sem
poupar o leitor da brutalidade desse período. Ao mesmo tempo, conta a história
daqueles que tiveram coragem de resistir. O que torna o livro tão doloroso é
perceber como um sistema pode tentar tirar de alguém não apenas a liberdade,
mas também a dignidade, a identidade e o direito de existir.
The Underground Railroad – Os Caminhos Para a Liberdade é um
retrato brilhante, mas devastador, do passado sombrio dos Estados Unidos. É uma
história triste, incômoda e, infelizmente, ainda muito relevante. Os
personagens são marcantes, e as reflexões que o livro provoca permanecem mesmo
depois da última página. Uma leitura mais do que recomendada!
Trilha sonora da resenha:











