Sinopse:
Resenha:
Em A Sombra dos Deuses, de John Gwynne, começa uma saga de
fantasia sombria que já chega com bastante força. Inspirado na mitologia
nórdica, o livro nos leva para Vigrið, um mundo brutal construído literalmente
sobre os restos de deuses mortos.
Trezentos anos depois da queda desses deuses, tudo ainda
carrega as marcas dessa guerra: paisagens destruídas, criaturas perigosas
surgindo do que ficou para trás e relíquias poderosas sendo disputadas por quem
quer poder, ou simplesmente sobreviver.
Aqui, os deuses morreram e ninguém parece sentir falta
deles. Tudo que lembra esse passado é evitado ou destruído. Os Maculados,
descendentes desses deuses, são temidos e muitas vezes tratados como ameaça.
Ainda assim, o poder que vem desses restos divinos continua atraindo as
pessoas, seja por ambição ou desespero.
A história acompanha três personagens principais, cada um
com sua própria jornada, mas todos ligados por esse mundo duro e cheio de
conflito.
Orka tenta levar uma vida simples com o marido, Thorkel, e o
filho, Breca. Ela deixou o passado de guerreira para trás, ou pelo menos tenta.
Só que, quando a violência bate à porta dela e tira o que ela mais ama, tudo
volta com força. A partir daí, ela entra numa busca intensa por vingança, sua
luta é sobre dor, perda e amor, isso faz com que cada confronto dela tenha
muito mais peso.
O que torna Orka marcante não é só o quanto ela luta bem,
mas o quanto ela sente, as relações dela, principalmente com a família, deixam
tudo mais real, você entende de onde vem aquela fúria, em alguns momentos, até
torce por ela.
Varg começa a história fugindo da escravidão e carregando um
objetivo bem claro, vingar a morte da irmã. Logo no início já dá para sentir
que o caminho dele não vai ser fácil, quando ele se junta a um grupo de
mercenários, ele encontra mais do que uma forma de seguir sua missão, encontra
um lugar onde talvez possa pertencer.
Mas esse novo caminho cobra um preço. Varg precisa lidar com
coisas sobre si mesmo que ele ainda não entende completamente, e isso vai
ficando cada vez mais importante conforme a história avança. Mesmo com toda a
violência ao redor, a história dele também tem momentos de conexão e amizade
que trazem um certo equilíbrio para a narrativa.
Elvar vem de uma família importante, mas decide renunciar a
tudo isso para buscar fama em batalha, ela quer ser lembrada, quer construir
uma história digna de ser contada. No começo tudo lembra as histórias que
cresceu ouvindo, a busca por glória, mas, aos poucos, ela vai percebendo que a
realidade da guerra é bem diferente do que imaginava.
Nada é tão bonito quanto parece, e a linha entre honra e
brutalidade é bem mais fina do que ela gostaria. A relação dela com Grend, que
acompanha e protege Elvar, é um dos pontos mais interessantes da história, tem
uma dinâmica de respeito e lealdade que ajuda a dar mais profundidade para o personagem.
Vigrið não é só um cenário, é um mundo que parece vivo, tudo
nele carrega história, a geografia, as criaturas, a política. Os vaesen, por
exemplo, são criaturas que nasceram dos deuses e continuam existindo depois da
queda deles, algumas são ameaças, outras nem tanto e isso deixa o mundo mais
imprevisível.
Mesmo com tantos nomes diferentes e referências nórdicas, o
autor consegue fazer com que os personagens sejam fáceis de acompanhar, cada um
tem seu papel e sua própria personalidade, o que ajuda muito na imersão.
A história é incrível e em certos momentos muito violenta,
tem batalhas intensas, perdas e decisões difíceis o tempo todo, mas, no meio
disso tudo também fala bastante sobre família, lealdade e identidade.
A Sombra dos Deuses é um ótimo início de saga para quem gosta de fantasia mais pesada, com personagens fortes e um mundo bem construído. A capa é literalmente fantástica e condiz com a história, para os fãs de fantasia épica inspirada na mitologia nórdica, esta é uma leitura obrigatória.
Trilha sonora da resenha:











