Sinopse:
Depois de vir para Brasil com o intuito de enriquecer e ascender socialmente, o português João Romão assume a propriedade de um cortiço no Rio de Janeiro, um ambiente inóspito com ar úmido, quente e solo lodoso.
Além do conjunto de moradias, ele também é dono de uma pedreira e uma venda, e todo o seu plano enriquecimento passa pela exploração do trabalho e do consumo dos moradores do cortiço.
Uma das obras mais conhecidas da literatura nacional, O cortiço se mostra também como uma grande crítica à formação da burguesia no Brasil. Com personagens fortes e muito bem construídos, Aluísio Azevedo mostra uma realidade de formação de riqueza com base em golpes e exploração do trabalho de mão de uma obra pobre, que se sujeitava ao trabalho em troca de uma moradia insalubre – retrato longe de ser superado no Brasil de hoje.
Resenha:
O Cortiço denuncia as precárias condições de vida nas
estalagens, conhecidas como cortiços, muito populares no fim do século XIX no
Brasil. Na obra, acompanhamos a rotina dos moradores desse ambiente, habitado
por lavadeiras, operários, prostitutas, comerciantes ambulantes e cavouqueiros,
entre outros.
João Romão é um português avarento, dono do cortiço, da
taverna e da pedreira, que enriquece roubando na venda, adulterando pesos e
explorando o trabalho alheio. Seu vizinho é Miranda, um comerciante bem
estabelecido que entra em uma disputa acirrada com o taverneiro por uma braça
de terra que deseja comprar para aumentar seu quintal. Como não há consenso,
ocorre a ruptura nas relações entre os dois.
Com inveja de Miranda, que possui uma condição social mais
elevada, João Romão trabalha ardorosamente e passa por privações para
enriquecer mais que seu oponente. Um fato, no entanto, muda a perspectiva do
dono do cortiço: quando Miranda recebe o título de barão, João Romão entende
que não basta ganhar dinheiro, mas que é necessário também ostentar uma posição
social reconhecida, ou seja, participar da vida burguesa.
Jerônimo é outro imigrante português, que se instala no
cortiço com a esposa, Piedade, para trabalhar na pedreira de João Romão. Homem
sério e disciplinado, ele preserva os costumes tradicionais, chega cedo ao
trabalho e é o melhor cavouqueiro do local. Porém, ao viver no cortiço,
Jerônimo entra em contato com um novo estilo de vida e passa a frequentar rodas
de samba. Lá, apaixona-se pela sensual Rita Baiana e acaba abandonando a esposa
e a rotina regrada que levava.
A mulata Bertoleza, apesar de nunca ter sido alforriada e
acreditar que o era, vive fielmente ao lado de João Romão. Sua dedicação ao
trabalho é impressionante, pois trabalha de domingo a domingo sem nunca se
queixar. Claramente explorada por João Romão, ela se torna um estorvo quando
ele enriquece e completa sua escalada social. Para se livrar dela, o
comerciante a denuncia aos seus antigos donos como escrava fugida. Em um ato de
desespero prestes a ser capturada, Bertoleza comete suicídio, deixando o caminho
livre para o casamento aristocrático de Romão.
No decorrer da história, somos apresentados a diversos outros personagens, como Pombinha e sua relação com a madrinha, a cocotte francesa Léonie; Albino, um sujeito afeminado que convive e trabalha com as lavadeiras; Piedade, a portuguesa casada com Jerônimo; e o capoeira Firmo, mulato envolvido com Rita Baiana.
O autor Aluísio Azevedo consegue, com maestria, transformar o próprio cortiço no protagonista da narrativa. Embora o livro tenha sido escrito no século XIX, a complexidade da obra a faz permanecer muito atual, mostrando como o ambiente molda o comportamento humano e as interações sociais. Ao abordar a ambição, a exploração e a desigualdade social, a obra se consolida como um clássico da literatura brasileira mais do que recomendado.
Trilha sonora da resenha:











