Sinopse:
“Os miseráveis” é um clássico da literatura mundial, esta obra é uma poderosa denúncia a todos os tipos de injustiça humana. Narra a emocionante história de Jean Valjean, o homem que, por ter roubado um pão, é condenado a dezenove anos de prisão. Os miseráveis é um livro inquietantemente religioso e político, com uma das narrativas mais envolventes já criadas.
Enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social;
em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a
terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis.
Resenha:
Jean Valjean era um homem vindo de uma família pobre de camponeses que perdera os pais ainda jovem. Criado pela irmã mais velha, que já era casada e tinha sete filhos, ele assumiu o papel de figura paterna daquelas crianças quando a irmã ficou viúva, amparando toda a família. Valjean trabalhava duro como podador, ceifeiro, cavador e ajudante de fazenda. No entanto, durante um inverno rigoroso, ficou sem trabalho e as condições da família tornaram-se precárias. Diante da fome e do desespero dos sobrinhos, ele quebrou a vidraça de uma padaria para roubar um pão. Flagrado pelo dono, foi condenado pela justiça a cinco anos de prisão nas galés, pena que se estendeu por 19 anos devido às sucessivas tentativas de fuga.
Em liberdade condicional, ele deveria se apresentar regularmente às autoridades, uma obrigação que, apesar dos altos riscos, decidiu não cumprir. Jean Valjean sentia-se marginalizado por todos, pois carregava o passaporte amarelo que o identificava como ex-presidiário. Sua sorte muda quando o bispo de Digne, Charles-François-Bienvenu Myriel, um homem avesso a qualquer preconceito, abre as portas de seu simples lar para acolhê-lo como um semelhante. O religioso ofereceu-lhe comida e a melhor cama, utilizando inclusive seus talheres de prata, reservados apenas para jantares importantes. Apesar da acolhida, Valjean cede ao desespero e rouba a prataria. Ele acaba preso em flagrante, pois as peças ostentavam o brasão do bispo. No entanto, Monsenhor Myriel recusa-se a denunciá-lo, afirmando à polícia que as pratas eram, na verdade, um presente para Valjean.
O bispo torna-se para ele uma representação divina na Terra, oferecendo-lhe uma lição profunda de solidariedade e tratando-o como filho, o que faz o ex-detento voltar a crer na humanidade. Após alguns anos sob uma nova identidade,Monsieur Madeleine, Valjean prospera como fabricante de vidrilhos, tornando-se um homem rico, respeitado e prefeito da pequena cidade de Montreuil-sur-Mer. Desolado diante do drama de Fantine, uma de suas ex-operárias que foi demitida de sua fábrica e precisou recorrer à prostituição para sustentar a filha, Cosette, Valjean decide salvar a criança. Ele a adota, mas não a tempo de impedir a morte prematura da mãe.
É claro que a história é muito mais complexa. O tenaz policial Javert atua como o grande antagonista de Valjean; ele é uma espécie de vilão legalista, focado em cumprir a letra da lei a ponto de perder de vista o verdadeiro significado da justiça. Há também os Thénardiers, que exploram a miséria de Fantine e criam Cosette sob uma rotina de servidão e desamor; Marius, neto de um monarquista que desenvolve ideais republicanos e rebeldes; Gavroche, o menino de rua de Paris que sintetiza a infância abandonada da época; e um grupo de jovens revolucionários que tentam incitar o povo na hoje histórica Revolta de Junho de 1832. Independentemente do que se pense sobre o romance de Victor Hugo, a maestria em entrelaçar tantos fios narrativos e sustentá-los por mais de mil páginas é inegável.
Em suma, Os Miseráveis é um romance grandioso e abrangente do século XIX que explora a história e a política francesas, questões filosóficas e morais, as características de Paris e os sentimentos antimonarquistas, além de temas universais como justiça, fé e amor. Tentar resumi-lo ou resenhá-lo é uma tarefa quase impossível. Apesar de seus temas densos, trata-se de uma narrativa envolvente, com personagens complexos e uma trama emocionante que, com justiça, consolidou-se como uma das maiores obras literárias de todos os tempos.
Trilha sonora da resenha:











